 Com Nova Força, Para Onde?
"Revolução", na ilha do comunismo caribenho, é sinônimo tanto de consciência de sua dignidade quanto de frustração. De esperança de transformação e medo dela. Um ano sem Fidel e tudo está dominado pela questão: Cuba - "quo vadis"?
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| A juventude se apresentou em Manzanillo em protesto contra o embargo americano. Sem embargo, o que o regime utilizará para mobilizar as massas? |
Com esperança e ceticismo Cuba aguarda o 6º Congresso do Partido Comunista. Inicialmente previsto para o fim deste ano, o evento – que não se realiza desde 1997 – foi adiado para depois que a crise econômica internacional amainar. A expectativa é de que o encontro lance trilhos para o futuro. Bert Hoffmann, cientista político do Instituto de Estudos Latino-Americanos de Hamburgo, na Alemanha, analisa os sinais contraditórios vindos de Cuba
Um salão, no 50º ano da Revolução, um pódio com microfone, dois guardas uniformizados de cada lado e uma regra: durante um minuto, qualquer um pode dizer tudo que quiser. Mas tudo, realmente tudo – não deve levar mais que um minuto para ser dito. Um após outro, os cubanos vão ao microfone, reivindicam abertamente o livre acesso à internet e à verdadeira liberdade de opinião e são aplaudidos. Outros creditam à Revolução que nenhuma criança cubana sinta fome, como milhares de outras pelo mundo. Um vai ao microfone e diz uma única frase: “Eu tenho muito medos”.
O pódio com o microfone-de-um-minuto foi uma performance de Tania Bruguera, professora da Escola Superior de Arte de Havana, durante a Décima Bienal de Arte que aconteceu na capital de Cuba, em abril deste ano. A apresentação tornou-se o espelho de um país que, depois de meio século de “socialismo ou morte” , ainda procura seu futuro. Nem os funcionários da área governamental de Cultura presentes ao evento sabiam se a fala livre era prova de tolerância da revolução cubana – ou propaganda antissocialista, passível de repressão.
O estado construído pelos antigos revolucionários de Sierra Maestra está inseguro. Após quase cinco décadas, Fidel Castro, o superpai da revolução cubana, transferiu os assuntos governamentais a seu irmão Raúl. Este jurou continuidade e, ao mesmo tempo, reformas. Os salários em pesos, totalmente defasados, seriam reajustados; o trabalho tornar-se-ia mais eficiente; haveria mais ofertas de consumo, e muitas proibições cairiam por serem desnecessárias. O velho triunfalismo era danoso. O país necessitaria de um debate aberto sobre e as carências dos cidadãos.
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