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Ciência
 
 

... e se o Universo oscilasse?


Por Klaus Bachmann (TEXTO), Teun Hocks (ILUSTRAÇÃO)

Filosofia

Negar a Lei da Natureza?
Quaisquer que sejam os voos alçados por um pensador, seu corpo está sujeito à gravitação e a todas as outras leis, às quais os corpos obedecem no Universo. Isso, como narra Platão, ocorreu com o filósofo grego Tales, quando passeava, certa vez, pelo campo, com os olhos dirigidos para o céu e caiu em um poço. Quem, apesar dessas experiências, nega a existência de leis da Natureza, parece tornar-se ridículo. Aliás: nenhum filósofo, em sã consciência, considera a gravitação uma ilusão. A questão é, antes: as regularidades por nós observadas são combinações necessárias e gerais na própria Natureza? Ou nós, seres humanos, projetamos essas regularidades na Natureza?

A resposta padrão da Filosofia natural, até a era de Newton, dizia: Deus promulgou as leis da Natureza, elas imperam nela independentemente do homem. Com a desteologização das Ciências Naturais no século XVIII, o sujeito humano veio para o centro. Kant ensina que o homem que reconhece, coloca as leis na Natureza, sim, apenas assim o conhecimento é possível. De acordo com a Filosofia transcendental de Kant, a razão pura promulga regras, que estruturam o caos das sensações para nós em um mundo de aparências ordenado.
Disso faz parte também o princípio da causalidade, segundo o qual todos os acontecimentos têm causas. Esse princípio, todavia, foi posto em dúvida pela Física do século XX. Por causa de tais discrepâncias, atualmente muitos cientistas provavelmente dividem antes a opinião de Steven Weinberg, Prêmio Nobel de Física, de que as leis da Natureza não surgiram apenas da lógica humana, mas que são tão reais quanto rochas.

Antagonista principal desse realismo científico é hoje em dia uma tradição que remonta ao filósofo escocês David Hume. Segundo ela, as leis da Natureza formuladas pelos cientistas nada mais são do que descrições de regularidades observadas. Essas generalizações a pesquisa utiliza como convenções ou instrumentos úteis – sobre sua relação com a realidade nada sabemos. Os realistas contestam: quem afirma que nunca poderia haver esferas de ouro com quilômetros de tamanho, está formulando apenas uma regra casual – não foram encontradas ainda esferas desse tipo. Quem diz o mesmo para urânio-235, formula uma regra necessária, uma lei da Natureza verdadeira – pois uma esfera assim não pode existir: ela atingiria a massa crítica e explodiria.
(Rainer Unruh)

 

O pintor e fotógrafo holandês Teun Hocks, 62, vive em Breukelen, ao sul de Amsterdã, e leciona na Academia de Design em Eindhoven. Se as constantes da Natureza assumissem outros valores, o redator da GEO Klaus Bachmann, 51, consideraria mais tentadora aquela que andasse com um quantum de energia h de Planck, dramaticamente maior: nesse caso, poderia andar em túneis através de portas fechadas – por exemplo, a porta do cofre de seu banco.

Prof. Sylvio Salinas – Diretor do Instituto de Física da USP (CONSULTORIA)

 

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