Ouro dos celtas
 Para a Eternidade
Para os celtas, o ouro era mais do que apenas joias e suntuosidade - o nobre metal com seu eterno brilho e pouco suscetível à corrosão era sinônimo de imortalidade. Por essa razão, eles produziram enfeites e objetos do mais elevado poder simbólico: gargantilhas, peitorais decorativos e fechos para suas túnicas Por Anja Fries (TEXTO)
cujos ornamentos e figuras sempre parecem apontar dessa para uma outra vida, para um mundo do além dominado por forças misteriosas.

Essa máscara de folha de ouro, de apenas alguns centímetros de tamanho, representa um sátiro - um demônio que na mitologia grega pertence aos seguidores do deus do vinho Dionísio. Por volta do ano 400 a.C., ela provavelmente enfeitava um de dois copos de chifres encontrados no túmulo de um príncipe. O ourives certamente se inspirou nos emblemas de utensílios de beber etruscos, que os celtas importavam da Itália. |
Incrustações de corais vermelhos ornamentam esse elmo de ferro banhado a ouro encontrado na França. Sobre os protetores das orelhas e bochechas, serpenteiam duas cobras artisticamente providas de chifres. Os celtas provavelmente confeccionaram o elmo por volta de 350 a.C. e posteriormente o depositaram em uma caverna que possivelmente lhes servia como um lugar de culto para a adoração de um antepassado heroico.
Culto
Um príncipe até no além
Os celtas veneravam seus ancestrais; eles acreditavam em uma vida após a morte, para a qual equipavam seus mortos com posses, joias e alimentos. As dádivas de ouro eram comuns. Mais comuns ainda eram os falecidos cujas armas e roupas usadas no sepultamento eram revestidas e ornamentadas com folhas de ouro: para enfatizar e garantir a pujança do morto por toda a eternidade - e ajudá-lo a entrar no mundo dos deuses.
Em vida, o príncipe de Hochdorf usava esse punhal de ferro em uma bainha de bronze. Somente após a sua morte (entre 550 e 500 a.C.) um ourives revestiu a arma do nobre com 16 folhas finamente estampadas, como também decorou seus sapatos e o cinto com ouro. Posteriormente, arqueólogos que escavam a colina-túmulo, desenterraram as ferramentas que o ourives deve ter usado para fazer a decoração - cinzéis, furadores e uma pequena barra de ouro. É bem possível que o artesão não podia mais usá-las após o seu trabalho sacro. |
Poder
No topo da pirâmide social
Príncipes e princesas usavam colares confeccionados com folhas de ouro cinzeladas. O metal nobre indicava sua elevada posição social. As elaboradas gargantilhas de bronze, por sua vez, destacavam os mais valentes entre os guerreiros celtas.

O cavalo alado Pégaso ornamenta as duas extremidades da gargantilha da princesa de Vix, sepultada por volta de 480 a.C., no vale superior do rio Sena. Os celtas adotaram o motivo do cavalo alado da mitologia grega, pois eles dominavam a rota terrestre do lucrativo comércio de estanho entre os helenos (gregos), do Mediterrâneo, e as Ilhas Britânicas. |
Valor
A recompensa pela luta
Por volta do ano 300 a.C., os celtas imitaram pela primeira vez a cunhagem de moedas estrangeiras: a de Filipe II da Macedônia e de seu filho Alexandre, o Grande. Mercenários celtas haviam recebido os modelos para isso como remuneração por seu envolvimento na Itália e na Grécia. Foi assim que o metal precioso finalmente perdeu seu significado sagrado.

Criadas por volta de 100 a.C., pela tribo dos Parisi, na França atual, essas duas moedas de ouro são ornamentadas com o perfil de uma cabeça de homem e de um cavalo. Elas foram inspiradas em modelos macedônios, que retratam a face do deus Apolo de um lado e uma biga puxada por uma parelha de cavalos, com uma inscrição em grego, do outro. |
Fé
Pedágio para os todo-poderosos
Em sítios sagrados, lugares perigosos ou inacessíveis, como trilhas nas montanhas, rios ou lagos, os celtas ofertavam dádivas de ouro aos seus deuses, na esperança de obterem a proteção dos imortais.

Criaturas híbridas com membros humanos, orelhas de animais e chifres se entrelaçam nessa gargantilha, encontrada embaixo de um rochedo na Suíça. Com outras três gargantilhas e pulseiras, os celtas devem ter depositado os objetos por volta de 380 a.C. como uma oferenda suplicante aos deuses para uma passagem segura rumo ao sul: o local das oferendas encontra-se exatamente no lugar em que um vale alpino se estreita acentuadamente, formando uma espécie de "portão" para entrar no passo, ou colo, de [São] Gotardo, que os guerreiros celtas utilizavam no século 4 em suas expedições expansionistas rumo à Itália. |
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