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Ciência
 
 

Iniciada a contagem regressiva!


Beijing aposta tudo para transformar o país em superpotência científica. Dinheiro? Existe em abundância. Cabeças inteligentes? São o recurso mais importante da nação. Os resultados até agora chamam mais atenção por sua quantidade do que por sua categoria


Durante dez anos ele cuidou de porcos. Quando já não aguentava, saía de fininho para ler livros sobre partículas elementares em um velho e empoeirado depósito em Beijing, pois até mesmo a biblioteca do instituto que ele foi obrigado a abandonar havia sido banida do local. Na época, a liderança chinesa acreditava que um único livro bastava para garantir o bem-estar do país: o Pequeno Livro Vermelho do grande timoneiro.

A China vivia em meio à Revolução Cultural que custou alguns dos melhores anos da vida do físico Chen Jiaer, atualmente com 75 anos. Ao retornar de Oxford, em 1965, como um dos quatro únicos doutorandos enviados ao Ocidente, ele foi aguardado por um instituto régio com centenas de colaboradores. Mas pouco tempo depois todos eles foram mandados ao campo, para trabalhar.

"Talvez eles quisessem nos estimular?", pergunta Chen ambiguamente. "Afinal, o próprio Newton encontrou sua inspiração embaixo de uma macieira." O sorriso do físico ilumina todo o seu rosto, mas é preciso olhar com atenção para perceber que este não é seu conhecido sorriso jovial. Trata-se antes de uma careta de horror com a qual ele quita os danos totais da Revolução Cultural.

Somente em 1978, depois de Deng Xiaoping explicar que educação e boa formação não eram contrarrevolucionárias, os físicos puderam retomar seu trabalho.

"E então eles logo me fizeram presidente da Academia - o senhor consegue imaginar isso?" Agora, sim, o rosto de Chen reflete seu costumeiro sorriso bem-humorado. E, de fato, parece um milagre que o homem que cuidou durante tantos anos de porcos pouco depois obteria a permissão de conduzir toda a direção das ciências naturais da China.

Alegre e animado, Chen apresenta o parque de equipamentos em parte obsoletos e em parte já ultramodernos do Instituto de Física de Íons Pesados, onde, junto com seus alunos, ele funde nanopartículas ou laser-plasma. E então profere uma frase muito chinesa sobre os anos desperdiçados: "Desde então, é claro, trabalhamos mais duro ainda".

A China favorece e promove seus pesquisadores com uma determinação tão inabalável como praticamente nenhum outro país. Os "Chens" da atualidade são enviados aos milhares para as melhores universidades estrangeiras - e posteriormente atraídos novamente para casa com ofertas ultragenerosas.

De 1996 a 2006, as despesas chinesas com pesquisas aumentaram 7 vezes, e o número de publicações de seus cientistas em revistas técnicas sextuplicaram. Por toda parte surgiram novos institutos e universidades - dizem que são mais de 2.000. É um país que não quer perder tempo. No entanto, essa milenar nação científica parece estar passando por uma espécie de segunda puberdade, prestes a se tornar uma superpotência de pesquisas. Com todos os acertos e enganos que acompanham esse estágio de desenvolvimento. Com alegria de correr riscos e coragem para quebrar regras. E sempre oscilando entre complexo de inferioridade e excesso de autoestima.

Na ilha de hainan nasce o quarto centro de lançamentos espaciais da china

Ao contrário do ideal de yin e yang, essas contradições não estão abrigadas harmoniosamente em uma ordem superior. Elas coexistem diretamente, lado a lado. Sendo assim, o visitante sente a ciência chinesa imponente e, ao mesmo tempo, decepcionante. Como se ela estivesse se abrindo e simultaneamente se amuralhando. Com imperturbável soberba e profunda insegurança. Como um mundo que em vários aspectos parece ter amadurecido precocemente - e em outros ainda está muito atrasado.

Por que essa desigualdade? Essas contradições? Que áreas são favorecidas e quais obstruídas? Que tipo de China a ciência ocidental pode esperar?

 

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