 O anjo fotográfico
Três paixões movem George Steinmetz: a fotografia, o deserto e a África. E ele achou um meio de se entregar às três com perfeição. Em um parapente ele se ergue nos ares e voa em busca de novas perspectivas. Seu combustível é a ambição de substituir boas fotografias por melhores ainda. Aterrissagens forçadas são inevitáveis Por Hania Luczak (TEXTO)
Quando Steinmetz fareja uma foto especial, dizem seus colegas, ele não consegue ser segurado. Ele fica irreconhecível, diferente do cara charmoso e sociável que é se não está trabalhando. Ele fica tomado por uma obsessão que não permite nenhuma chance ao fracasso.
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Steinmetz descreve sua partida para a África como uma fuga do "mundo privilegiado". O californiano, de então 21 anos, viajava como caroneiro - e descobriu a arte de fotografar |
Ele odeia fracassar. Mas já lhe aconteceu mais de uma vez, quando teve de alarmar seu pessoal de apoio pelo do rádio: "motor out", o que também poderia significar queda. Como aconteceu sobre um deserto de rochas na Arábia Saudita, quando a aterrissagem forçada em cima da ponta de uma rocha lhe causou arranhões bem doloridos - e garantiu à equipe de busca, constituída de militares, beduínos e guias, uma noite sem dormir, à procura dos rastos dos fotógrafos.
Sem falar dos pousos forçados na água, ou em campos minados. Ou daquele no Irã, no qual quebrou alguns ossos da mão. Na China, bateu em uma árvore e caiu inconsciente no solo, com uma ferida profunda no rosto. Dezenove pontos, ele diz. Isso foi por pouco.
E o paraquedas de salvamento? Esse ele já descartou há tempos, era peso demais. Nem é tão ruim, diz Steinmetz, depois de terminar o teste no galpão. No deserto, a aterrissagem raramente apresenta perigo verdadeiro. Lugar tem de sobra, a areia é macia. A não ser que haja tempestade de areia, quando seu parapente o arrasta feito um saco pelo chão.
Na camiseta do jovem consultor técnico que atende o cliente famoso em Hannover, está escrito "voar de parapente vicia". Será que George Steinmetz está apaixonado pelo risco? Será que tem tendências autodestrutivas? Não, ele diz. Ele não é um "voador da alma", nem um "louco por adrenalina". O que ele faz é viagem de negócios. Pragmático, calcula muito bem lucros e perdas, conta com a técnica. Precisa de fones de ouvido melhores para que a comunicação com seus ajudantes no solo ocorra sem interferências. Os fechos "click" funcionam também em ambientes arenosos? Ele pergunta. Em seguida, bate no capacete novo, um desses lhe salvou a vida na China.
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Chegada em Agadez, no Niger: piloto e parapente atraem uma curiosidade enorme da população local |
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| Para explorar um deserto de altitude maior, como, por exemplo, a Costa do Esqueleto da Namíbia, Steinmetz deixa seu parapente motorizado no solo e sobe em um avião de verdade: um Cesna |
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Nouakchott, Mauritânia. Mesmo que o avião local esteja pronto, Steinmetz espera por pilotos nativos. Eles conhecem melhor as condições de voo e as autoridades locais |
| Conhecidos casuais em um "aeroporto" típico de Steinmetz: dois pastores da tribo massai nas proximidades do Lago Natron, no Quênia |
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Na imagem, seu assistente François Lagard em um oásis no Niger. Ele acompanha cada voo de Steinmetz com um segundo parapente, à distância |
Ele é movido pela vontade do descobridor, quer ver o que ninguém antes jamais viu. Ser uma vez o primeiro, mesmo que seja além da última gota de gasolina. "Go, go, go", Steinmetz gosta de dizer. "Eu quero saber o que fica atrás do horizonte". Nada em sua juventude em Beverly Hills, na Califórnia, deixava prever que o menino calmo de pais abastados poderia tornar-se um aventureiro desses. Mas, durante o estudo de geofísica, na universidade de Stanford, começa, junto com o tédio, a germinar o desassossego dentro dele.
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