 O anjo fotográfico
Três paixões movem George Steinmetz: a fotografia, o deserto e a África. E ele achou um meio de se entregar às três com perfeição. Em um parapente ele se ergue nos ares e voa em busca de novas perspectivas. Seu combustível é a ambição de substituir boas fotografias por melhores ainda. Aterrissagens forçadas são inevitáveis Por Hania Luczak (TEXTO)
Por uma foto boa ele arrisca quase tudo. E fotos boas o perfeccionista George Steinmetz, 51, cidadão dos EUA, fez muitas. Mas como sempre pode haver fotos melhores, ele não sossega nunca. Uma floresta tropical inexplorada em Irian Jaya? Não tem problema. E se lá ele for ameaçado com arco e flecha? Faz parte da história. Descer com a corda em paredões de gelo nos Andes, a 6.000 metros de altitude? Desde que uma mão fique livre para a câmera, está tudo bem.
Uma região proibida é o que torna tudo interessante. A batalha durante anos com autoridades duvidosas no fim do mundo, para conseguir permissões, também faz parte. Da mesma forma, integram a emoção o olhar no cano de um rifle bem de perto (apontado para si) e pausas forçadas em celas de cadeias. Tudo são experiências que servem à sua causa, diz Steinmetz, ao seu tema de vida.
E seu tema de vida, sua idéia fixa, é há muitos anos: sua câmera ter visto todos os desertos do mundo, pelo menos uma vez. O Saara, o Rub'al-Kahli e o deserto de Atacama, de Gobi e o iraniano Dasht-e Lut, mas também o Mar Morto, ou os vales secos da Antártida. E isso, se possível, ou melhor, obrigatoriamente, visto dos ares.
Steinmatz chama seu parapente motorizado de "Monster", e parece amável e respeitoso ao mesmo tempo denominar seu aparelho de voo dessa maneira. Foi através desse ultraleve que ele pode elevar sua fotografia sobre a perspectiva limitada dos homens do solo e apressar ainda mais a caça pela imagem absoluta. Quantas vezes, no início de sua carreira, ele se sentiu no deserto como um inseto rastejante e invejou os pássaros no céu aparentemente sem limites.
E realmente, diz o fotógrafo, lá de cima e, mesmo assim, tão perto do chão, o deserto parece estar desnudo. Só dessa perspectiva ele permite uma visão profunda de suas características, de suas dimensões imensuráveis. A hostilidade à vida, as esculturas em rochas, as formações das dunas, como se tivessem sido feitas por mãos de artista, isso tudo atrai George Steinmetz de forma mágica.
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Muita areia e espaço, pouco vento. Às vezes, mas nem sempre, as aterrissagens são puro prazer |
Lá está, pendurado, o fotógrafo voador. Alto e com feições de menino, no galpão industrial de uma pequena empresa especializada, no subúrbio de Hannover, na Alemanha, ele balança para lá e para cá, sobe e desce, de modo que os pesados ganchos no suporte de aço do teto começam a tremer.
Com uma câmera imaginária diante dos olhos, Steinmetz testa sua liberdade de movimentos para que, mais tarde, possa trabalhar de forma desimpedida em todas as direções.
Ele comprou seu aparelho há dez anos e, agora, mandou fazer uma revisão para atualizar o parapente e deixá-lo como novo. Debaixo do fotógrafo, o assento recebe uma sustentação melhorada dos pés. Atrás, o motor de 36 HP, a hélice do tamanho de um guarda-chuva e principalmente o tanque novo, que enfim tem uma capacidade bem maior.
Finalmente, poderá voar mais longe, fotografar mais em um único voo. O tanque velho ficava vazio depois de duas horas. O pequeno espelho afixado no puxador de borracha, que lhe permite ver, durante o vôo, o nível da gasolina às suas costas, nem sempre se movia para que isso fosse possível. Assim como também não conseguia mostrar as formações de nuvens, às vezes bem ameaçadoras, ou redemoinhos na areia, que indicavam ventos fortes.
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