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Natureza
 
 

O valor da diversidade


Quanto vale uma borboleta? Colar etiquetas de preço em espécies individuais parece absurdo, mas é precisamente isso que alguns economistas tentam fazer. Uma nova perspectiva para impedir a destruição


Por Andreas Weber (Texto) e Ingo Arndt (Fotos)

A biodiversidade, vasta rede de todas as formas de vida, é infinitamente valiosa. Um tesouro precioso demais para que, simplesmente, possamos atribuir-lhe valor em dinheiro. Essa opinião é tão aceita quanto respeitável. A única fatalidade é que ela também constitui um convite para considerarmos a natureza viva como um presente gratuito e ainda assim arruiná-la, sempre que houver uma perspectiva de lucro a curto prazo. Para impedir essa destruição, os ecologistas estão se unindo aos economistas. Eles tentam calcular em euros, até os centavos, o valor agregado à produtividade de abelhas e castores, manguezais e recifes de corais. O princípio de uma nova revolução no pensamento econômico

Doutor Antitumor

A vinca rosea (Catharanthus roseus), de Madagáscar, contém substâncias de efeito altamente benéfico nas terapias para o tratamento da leucemia. Nos anos 60, o conglomerado farmacêutico Eli Lilly descobriu a planta medicinal na farmacopeia da floresta tropical, e isolou o ingrediente ativo para o remédio anticancerígeno Vincristin. Mas Madagáscar, o país originário do recurso genético do ingrediente, não se beneficiou de nada disso. Para evitar esse tipo de "biopirataria" e garantir uma participação financeira justa aos países originários, foi criada a Convenção da Biodiversidade, assinada por quase todas as nações do mundo, exceto os Estados Unidos. Dez dos medicamentos mais bem-sucedidos mundialmente originam-se de fontes naturais. De acordo com cálculos da ONU, só com os medicamentos fabricados com a vinca rósea de Madagáscar, a Eli Lilly gera um movimento anual de 100 milhões de euros (aproximadamente R$ 243,58 milhões)


Ganhos vistosos

Turistas mergulhadores apreciam recifes de corais saudáveis, que abrigam muitos habitantes multicoloridos, como o peixe-anjo-real (Pygoplites diacanthus). Menos óbvio é que a proteção dos corais também beneficia os pescadores. Mas os cálculos de custo-benefício provam que todos desfrutam do trato consciencioso do mundo submarino. Nas Filipinas, mais de um milhão de pescadores costeiros e suas famílias dependem do que é extraído do mar. E nos lugares aonde a população participa do "gerenciamento de recifes", as recompensas são visíveis. Os lucros obtidos com a pesca racional e o turismo de mergulho suplantam os ganhos registrados com a pesca com dinamite por hectare em 2.400 euros (aproximadamente R$ 5.855,79)

 



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