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1/Novembro/2011

Ainda sobre felicidade


Congresso brasileiro discute como promover saúde emocional, com foco em felicidade e bem estar (no trabalho também)


Da redação

Alardeada em rede nacional, a Psicologia Positiva (PP) teve seus dias de glória no Brasil - trata-se da ciência estadunidense diretamente relacionada aos pesquisadores de Harvard mencionados na edição 30 de GEO (embora isto não tenha sido relatado na reportagem), que divulgou um largo estudo da universidade sobre como ser feliz. Aliás, a PP é hoje a disciplina mais frequentada da Universidade. E agora também é destaque no Brasil.
Nos dias 20 e 21 de outubro aconteceu o primeiro Congresso Brasileiro de Psicologia Positiva, promovido pela Associação Brasileira de Psicologia Positiva para a América Latina (APPAL), no Rio de Janeiro. A programação incluiu palestra do grande criador deste ramo da Psicologia, que estuda as virtudes e qualidades humanas e as potencializa para as mais diversas realizações, inclusive ser feliz. O homem é o psicólogo Martin Seligman, da Universidade da Pensylvânia, que recentemente diz até mesmo ter reinventado a PP, coisa que tenta provar com o livro Florish (ainda sem tradução, pela Free Press), lançado este ano e tema central de sua palestra no Congresso Brasileiro.
A partir da ideia de felicidade como algo palpável, medido com método científico, centro de seus ensinamentos (ver livro Felicidade Autêntica, Objetiva), ele diz ter reestruturado sua teoria para que o ser humano procure, sim, o bem-estar. Isto seria algo que, ele acredita, de fato mobiliza as pessoas, sendo ainda mais fácil de visualizar como meta a ser alcançada (e que depois contabiliza pontos positivos no balanço que se faz da vida que, segundo a PP, com uma pendência maior para realizações positivas e sentimento de satisfação do sujeito, é a definição de felicidade).
Na busca pelo bem-estar e pela felicidade moram a resiliência e os sentimentos positivos, as forças e virtudes do indivíduo, características que são aplicadas pela Psicologia Positiva com caráter não apenas curativo, mas preventivo, potencializando-as no fortalecimento da saúde emocional das pessoas. Sendo assim, a PP pode ser utilizada não somente na clínica psicológica, mas nas escolas e instituições em geral, até mesmo no chamado coaching positivo, que, além de Seligman, um dos temas de destaque do Congresso da Appal. O foco é a qualidade de vida, visto que hoje carreira e trabalho preenchem parte importante do tempo de vida das pessoas.
PP versos GAP As corporações utilizam hoje, na gestão de pessoas, A CULTURA DO GAP, aquela cujo foco é prevenir o acontecimento de coisas ruins, por meio da redução dos gaps e deficiências, prevenindo erros e ineficiência. Lilian Graziano, Diretora do Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento (IPPC), palestrante da APPAL para o tema, revela que o grande erro dessa cultura seria o foco em estabelecer um padrão mínimo nos grupos profissionais. "E é justamente ao focalizar seus esforços na prevenção da ineficiência que a cultura do Gap comete, a meu ver, o maior de seus pecados: o de promover a mediocridade", afirma a psicóloga.
Lilian é adepta da cultura promovida por Kim Cameron, da Universidade de Michigan, chamada de Cultura da Abundância, cujos esforços se voltam para a criação de coisas boas e positivas e não para a evitação do erro. Na cultura da abundância o foco está na identificação do melhor nas pessoas e não na identificação (e suprimento) de suas deficiências, ou seja, no desenvolvimento de talentos baseados em virtudes e competências, base da Psicologia Positiva, evitando também comportamentos disfuncionais e desenvolvendo a estrutura emocional das pessoas para a superação de desafios e frustrações. "Com isso, a cultura da abundância promove o crescimento e a superação do padrão normal, de forma que seu maior mérito é a promoção da Excelência em todos os aspectos", diz Lilian, que acredita na aplicação da PP de forma maciça nas organizações e outra instituições que tenham algum papel educativo.
Depressão e Burnout Um recorde mundial, sobretudo nos países em desenvolvimento, com jornadas mais pesadas e opressoras de trabalho, é o absenteísmo nas empresas. Os custos de saúde pública sobem em função de doenças como depressão, burnout (fadiga mental) e Transtorno do Estresse Pós-traumático (TEPT) adquiridos nessas condições, entre outras constantes da vida corporativa. Mas, "a maior parte dos custos de cuidados de saúde na não é para promovê-la, mas sim para o tratamento dessas doenças", explica Lilian Graziano. A aplicação maciça da PP pode ser um modelo preventivo, reduzindo esses valores e promovendo, de fato, qualidade de vida.
Aplicação Maciça. Martin Seligman, e Raymond Fowler, da Universidade da Califórnia, San Diego, avaliam, em artigo recente da revista American Psychologst, da Associação Americana de Psicologia, o potencial de programa recente desenvolvido com os militares americanos.
O Comprehensive Soldier Fitness Program, que surgiu de uma demanda do próprio exército, devido ainda à grande incidência de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e da relação desses índices com variáveis psicológicas previamente encontradas nas avaliações de soldados, pretende criar uma base de dados de um milhão de servidores militares em que conste seu desempenho antes e depois de treinamentos em Psicologia Positiva. Os resultados esperados são melhores respostas frente aos obstáculos e emoções negativas comuns nas atuações militares, o que se reflete no desempenho dos soldados em todas as áreas da vida. O caminho para isso é composto de treinamentos maciços e intensivos (presenciais e on-line) com os soldados, suas famílias e todo o exército, como instituição, trabalhando o fitness emocional, o espiritual, o social, entre outras competências e aptidões a serem desenvolvidas, capazes de evitar disfunções e transtornos comportamentais e psicológicos (tudo com base na Psicologia Positiva). O trabalho foi iniciado em 2008 e não tem previsão para terminar, já que o exército compreende o programa como uma intervenção de desenvolvimento humano que, como tal, trata-se de uma inciativa de longo prazo que pretende também ser um modelo para instituições civis, na promoção maciça de bem-estar.
 





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